Opinião: O Homem de Giz, de C. J. Tudor

O Homem de Giz C. J. Tudor Editora: Editorial Planeta Sinopse: O livro de estreia de C. J. Tudor é um thriller com uma atmosfe...


O Homem de Giz
C. J. Tudor

Editora: Editorial Planeta

Sinopse: O livro de estreia de C. J. Tudor é um thriller com uma atmosfera densa e viciante que se passa em dois registos, em 1986 e nos nossos dias. A história começa em 1986 e, após um hiato de trinta anos, o passado surge para transformar a vida de Eddie. As influências de Stephen King e o toque de Irvin Welsh, conferem ao livro não só um tipo de narrativa diferente como um suspense ao limite. O que contribui para que a história tenha um desfecho muito real e chocante. O Homem de Giz conta-nos a história de um grupo de crianças, não poupando nos pormenores sociais onde estão inseridas e em como as influências de famílias disfuncionais contribuem para exacerbar o imaginário infantil.


OPINIÃO: Antes sequer de começar a escrever sobre o livro, há algo que tem de ficar registado: grande campanha de promoção que a Editorial Planeta fez junto da comunicação social, mais propriamente, pelo que sei, junto dos seus bloggers parceiros. Recebemos o exemplar de avanço com praticamente um mês de antecedência e veio acompanhado de um quadro preto, giz, um saco, e restante material de promoção, tanto em formato revista como pen. Atenção, isto em nada compromete as opiniões, mas se se quer apostar em grande num livro, esta foi uma bela maneira de o fazer. E o melhor de tudo é que o livro correspondeu em grande medida ao investimento que foi feito. O Homem de Giz é um thriller psicológico que prende o leitor do início ao fim e que nos faz querer lê-lo todo de um só fôlego. Quem diria que este é um romance de estreia! Parabéns à autora, C. J. Tudor. 

Mergulhemos agora neste universo de giz, morte, mistério e suspense. Uma das coisas que mais me impressionou neste livro é que nunca sabemos bem até que ponto é que o mistério das mortes é consequência do sobrenatural ou não até bem perto do final. A história tem um ritmo muito bom. Alternando, em doses perfeitamente equilibradas, entre o passado e o presente de Eddie, vamos assistindo a vários episódios de algum horror, principalmente psicológico. O grande enigma? Quem será o perpetuador destas situações. O Homem de Giz para além do título do livro é também a alcunha de um professor de Eddie. Não poucas vezes, temos Eddie e O Homem de Giz envolvidos nas mesmas situações, muitas delas suspeitas, o que nos faz galgar a pulsação. Há também um acontecimento, de uma descrição gráfica perturbadora e super real, que se torna num segredo e que acaba por ligá-los até ao fim. São poucos os autores que nos conseguem prender pelo âmago e manter na dúvida durante tanto tempo. C. J. Tudor não só conseguiu tal com uma mestria notável, como ainda surpreendeu no final. Nem tudo o que parece é e até o maior dos (aparentes) inocentes pode ser capaz de monstruosidades. 

É um bocado incrível, e ao mesmo tempo inacreditável, que esta seja uma obra de estreia. Estamos perante uma escrita fluída, um enredo desafiante e uma trama que poderia muito bem dar um filme. A autora pega em cinco amigos adolescente, todos tão diferentes um dos outros, e consegue provocar um leque de emoções muito distintas. Vamos sentir uma grande empatia por uns, um quase ódio imediato por outros e iremos constatar que alguns estão de alguma maneira envolvidos em certas situações que gostávamos que não estivessem. Eddie é dos personagens de thrillers mais fascinantes com que já me deparei. Dentro da inocência que a escritora lhe atribuiu, mesmo em idade adulta, esta também lhe conferiu uma certa dose de disfuncionalidade que descobrimos com um certo grau de surpresa. Só houve uma personagem que achei que foi subvalorizada e que podia ter dado mais à história - Nicky. Não sei, havia algo com ela desde o início que me fez ter uma expectativa constante que, com o fim, ficou apenas pelo morno. Uma coisa é certa, este é um dos livros que mais facilmente e mais rapidamente devorei nos últimos tempos. Uma viagem visceral ao epicentro de uma povoação que podia ser a de qualquer um de nós.

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