[Diário de Bordo EuroSprint Tour '18 - Fugly + Whales] Vírus

Acordei às 10 da manhã ainda todo rebentado da garganta, estava completamente afónico, mal conseguia proferir uma palavra. Aos poucos t...



Acordei às 10 da manhã ainda todo rebentado da garganta, estava completamente afónico, mal conseguia proferir uma palavra. Aos poucos todos se levantaram e, entretanto, descobrimos que o Cirrose não tinha ido trabalhar, decidiu tirar folga e queria aproveitar para me levar ao médico para ver o que afinal tinha. Não podia continuar a tour se não conseguisse cantar e por isso tínhamos de resolver o problema o mais cedo possível. Já tinha cancelado o concerto do dia anterior na perspectiva de melhorar no dia seguinte e não podíamos dar seguimento a essa maré de azar.

A boa notícia é que não era nada de grave, um vírus que apanhei por algum motivo e que dentro de uns dias já ficaria melhor. A má notícia é que muito provavelmente contagiei toda a malta que está na tour comigo. Bela merda. 

O truque é descansar, segundo a médica, dormir o máximo de horas possível, sem falar muito, sem fumar, sem beber álcool. Que treta. Fui à Holanda e não pude fumar um “joint” e fui à Bélgica e não bebi uma cerveja que fosse… Que mal aproveitado. O que vale é que na Polónia a Vodka é barata e até lá já devo estar bom. Ainda por cima a Vodka que eles lá têm é de “matar bicho”.

O resto do dia foi mais relaxado, ficamos a trocar impressões sobre música e festivais com o Cirrose, a mostrar alguma música que conhecíamos e ele a nós.  Ainda tivemos uma sessão de Netflix e depois fomos todos dormir. 

Toca a ir para a Germânia. Tudo a pé de manhã cedinho. Nem 8 da manhã eram e já estávamos a caminho de Chemnitz, terra que teve o nome de Karl Marx Stadt durante a divisão da Alemanha pós-segunda guerra mundial, a poucos quilómetros da cidade de Leipzig. Eu estava a sentir-me melhor, mas sabia que ainda não estava a 100% para o concerto da noite. Tivemos que fazer algumas alterações à setlist de modo a tirar todas as músicas que estou a esforçar demasiado a voz. E mesmo assim vi-me grego para cantar direito. A voz falhava-me como se de um puto de 13 anos com a voz em transformação se tratasse.

Foi uma noite muito porreira. Para além do dono do bar ser um gajo mesmo simpático e muitas canecas de cerveja alemã nos serviu (das quais eu não bebi devido à medicação), a casa estava cheia, um calor de morte, e alguns portugueses a ver o concerto. Os Whales puseram o pessoal a abanar o capacete, fizeram o aquecimento e depois quando tocámos, já estavam uns alemães em tronco nu a rebolar no chão de entusiasmo. Foi o que valeu, porque eu não consegui cantar em muitos dos momentos, mas ao menos o pessoal estava a fazer festa na mesma. Ainda me vieram chamar Dave Grohl no final do concerto, que é sempre um bom elogio.

O Simões entretanto, começou a demonstrar sinais de estar a ceder ao vírus que eu espalhei por toda a gente. Fui levá-lo à cama e ele espetou um brufen na goela e foi dormir. Vamos lá ver se amanhã não acorda toda a gente doente.

Jimmy (Pedro Feio)

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