Jazz em Agosto 2018: Carta multicolor a John Zorn, por João Morales

John Zorn volta a estar no centro das atenções © Joaquim Mendes Nos 35 anos do Jazz em Agosto, John Zorn é o epicentro da programação....

John Zorn volta a estar no centro das atenções © Joaquim Mendes

Nos 35 anos do Jazz em Agosto, John Zorn é o epicentro da programação. Contando com a presença do próprio saxofonista, 18 concertos e cinco filmes sublinham o seu universo e a importância que conquistou na definição do Jazz dos nossos dias.

O festival da Fundação Calouste Gulbenkian abre na noite de 27 de Julho (e não deixa de ser curiosa esta tendência, acentuada nos últimos anos, de trazer o certame para o mês anterior), este ano com uma aposta diferente. Se, em 2013, John Zorn foi convidado de honra, com diversas formações, desta vez volta a sê-lo, mas assumindo essencialmente uma espécie de curadoria, criando com o programador habitual, Rui Neves, a convite da FCG, uma programação que reflecte o seu universo e nos mostra alguns dos seus seguidores. 

Masada, um dos projectos centrais do universo de Zorn, marcam presença © Gonzalo Guaña

Tudo começa com o próprio John Zohn Zorn a estrear uma conjugação inédita, com Thurston Moore, guitarrista dos Sonic Youth, e o baterista Milford Graves. No dia seguinte, o projecto Masada (agrupamento que junta Zorn a Dave Douglas, no trompete, Greg Cohen, no contrabaixo, e Joey Baron, na bateria) faz a primeira parte de um concerto duplo, também às 21h 30m, juntamente com o Mary Halvorson Quartet, liderado por esta guitarrista, que já se apresentou neste mesmo festival (por exemplo, com Anthony Barxton). Na sua companhia estarão Miles Okazaki (numa segunda guitarra elétrica), Drew Gress (no baixo elétrico) e Tomas Fujiwara (na bateria) A noite de 29 de Julho, marca a terceira, e última, prestação de Zorn neste festival, em dueto com laptop de Ikue Mori, aos comandos de um órgão de tubos. No mesmo Domingo, às 18h 30m, Jumalatterer junta a voz de Barbara Hannigan e o piano de Stephen Gosling, em canções inspiradas no Kalevala, texto épico central da literatura finlandesa.

Segunda-feira, às 18h 30m, tem lugar a primeira prestação portuguesa, The Rite of Trio (André Bastos Silva, guitarra elétrica, Filipe Louro, contrabaixo, e Pedro Melo Alves, bateria). E nessa mesma noite sobem ao palco duas formações: Nova Quartet (John Medeski, piano, Kenny Wollesen, vibraphone, Trevor Dunn, contrabaixo e baixo elétrico e Joey Baron, Bateria) e Asmodeus, trio de Marc Ribot (guitarra elétrica) com Trevor Dunn (contrabaixo) e Kenny Grohowski (bateria).
A noite de 31 de Julho está entregue a um outro trio, Simulacrum, composto por John Medeski (orgão Hammond), Matt Hollenberg (guitarra elétrica) e Kenny Grohowski (bateria). Composições de John Zorn que cruzam espectros, do heavy metal ao minimalismo, do blues ao noise mais aguerrido.

Marc Ribot regressa aos palcos da FCG, com novas experiências © Barbara Rigon
Agosto começa com um solo, Robert Dick, às 18h 30m, numa original prestação para flauta contrabaixo. E a noite faz-se novamente em dose dupla. O quarteto da pianista Kris Davis (com Mary Halvorson, guitarra elétrica, Drew Gress, contrabaixo, e Kenny Wollesen, bateria) antecede a prestação do trio do organista John Medeski, com Dave Fiuczynski (guitarra elétrica) e Calvin Weston (bateria).

Quinta-feira, às 18h 30m, o segundo projecto português presente na edição deste ano, os muito falados Slow is Possible, septeto composto por João Clemente (guitarra elétrica), Ricardo Sousa (contrabaixo), Bruno Figueira (saxofone alto), André Pontífice (violoncelo), Duarte Fonseca (bateria) e Nuno Santos Dias (piano). Um música que envolve o jazz, o rock e uma dimensão cinematográfica, equilibrando tensões e surpresas. À noite, será tempo de escutar o Highsmith Trio, conjugação forte de Ikue Mori (em laptop), Craig Taborn (ao piano) e Jim Black (na bateria). 

Dia 3 de Agosto, às 18h 30, o palco é entregue em exclusividade às guitarras eléctricas, aliás, o instrumento mais ouvido nas diferentes formações que constituem esta edição do Jazz em Agosto. James Moore, Taylor Levine, Josh Lopes e Gyan Riley são os Dirther e vão interpretar as Zorn Game Pieces. Nessa noite sobem ao palco do anfiteatro os Insurrection, com Matt Hollenberg e Julian Lage (ambos em guitarra elétrica), o baixista Trevor Dunn e o baterista Kenny Grohowski.

O último fim-de-semana do festival começa com Trigger, um trio que junta Will Greene (guitarra elétrica) Simon Hanes (baixo elétrico) e Aaron Edgcomb (bateria), músicos bastante jovens que integram linguagens como o hard rock num jazz musculado e devedor de outras influências. À noite, o instrumento no centro das atenções será o piano. Primeiro a solo, nas mãos de Craig Tamborn, depois por Brian Marsella, acompanhado pelo contrabaixo de Trevor Dunn.

E chegamos ao dia do encerramento, 5 de Agosto. Ao final da tarde, pelas 18h 30m, são novamente as guitarras (desta vez acústicas) a fazer-se ouvir. Um dueto constituído por Julian Lage e Gyan Riley (filho do histórico compositor contemporâneo Terry Riley) interpretam temas de Zorn, apostando numa sonoridade suave e reflexiva que poucas vezes é associada ao universo do compositor americano.
Secret Chiefs 3, uma das grandes expectativas deste ano © Olivia Yoama

O festival encerra com um shot de energia. Secret Chiefs 3 é um turbilhão de influências e vitalidade, liderado pelo guitarrista Trey Spruance, com créditos firmados nos Mr. Bungle, e o magnífico baterista Ches Smith, por mais que uma vez, assombrou a plateia portuguesa. 

O cartaz deste ano, com um lettering alusivo ao convidado

João Morales

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