[Reportagem SAPOMAG] Marilyn Manson no Campo Pequeno: Frenético, teatral e sempre provocador

Fotografia Nuno Rolinho/Hexafoto Reportagem original:  https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/marilyn-manson-no-campo-pequeno-frenetico-t...

Fotografia Nuno Rolinho/Hexafoto


Não existem dúvidas que Marilyn Manson é um ícone do rock. Goste-se ou não, polémico ou não, o que é certo é que não deixa ninguém indiferente, como provou esta Quarta-feira, no Campo Pequeno. O próprio nome do projecto fala por si, as suas origens vão buscar luz e escuridão, luxúria e obsceno.

Com dez discos na bagageira e um quarto de século a pisar palcos, muitos têm sido os episódios que têm marcado a história do protagonista que pisou na noite passada o palco do Campo Pequeno.

A última visita a Portugal tinha sido naquele mesmo local, mas em 2009. Heaven Upside Down, o último disco, foi lançado em Outubro de 2017 e serviu de mote para o regresso a terras lusas. Fazendo jus ao que seria de esperar, o concerto, de plateia e bancadas lotadas, foi um espectáculo que teve tanto de rocambolesco como de frenético e insólito.

Com alguns minutos de atraso, o público português já se fazia ouvir a bom som. Quando Marilyn Manson irrompe pela névoa de fumo, o jogo de luzes ataca em sintonia com as primeiras notas e a euforia começa. Em cima do palco existe toda uma teatralidade que faz parte do personagem que o músico norte-americano encarna, e que se manteve até ao fim.

Logo de início, Marilyn Manson referiu que o público português é o mais “barulhento” de todos e a plateia reagiu e correspondeu com tudo o que tinha. O alinhamento contou com temas do disco novo, mas também percorreu os já considerados grandes clássicos, fazendo as delícias dos fãs.

Houve vários momentos marcantes ao longo do concerto. Não só se expressou como bem entendeu, atirando os microfones e os seus apoios em diferentes direcções, modificando o vestuário de tema para tema e atirando-se para o chão rastejando ou em posições mais provocadoras, como também proporcionou a oportunidade de algumas fãs subirem ao palco – em “Kill4Me” e (pelo menos pareceu uma espécie de tentativa de) em "I Don’t Like The Drugs (But The Drugs Like Me)". Ambos os temas acabaram por ficar registados também na lista de momentos insólitos. Para quem estava na bancada, não era bem claro o que era encenado ou improvisado.

Toda a performance emanou sempre uma grande dose de provocação. Fosse pelas poses, pelas atitudes, ou por toda a carga sonora e lírica que esta carrega sempre consigo. A voz de Marilyn Manson pode já não ter a resistência que tinha antes, mas ainda assim conseguiu evocar sons bastante viscerais, sempre acompanhado de forma potente pelo guitarrista, baixista e baterista.

A imagem de Marilyn Manson em 2018 pode não provocar o mesmo espanto ou fascínio/terror que provocou nos anos 90, mas o que é certo é que continua a marcar gerações. Houve público para todas as idades, sendo que o músico chegou a brincar dizendo “espero não ser o pai de nenhum de vocês”.

O concerto terminou, já depois de dois encores explosivos, com Marilyn Manson de bandeira de Portugal ao peito e a dizer que nos voltaria a ver brevemente.

Setlist
Irresponsible Hate Anthem
Angel With the Scabbed Wings
Deep Six
This Is the New Shit
Disposable Teens
mOBSCENE
Kill4Me (With fans on stage)
The Dope Show (I Don't Like The Drugs (But The Drugs Like Me) intro)
Sweet Dreams (Are Made of This) (Eurythmics cover)
Say10
Antichrist Superstar

Encore:
Cry Little Sister (Gerard McMann cover)
The Beautiful People

Encore 2:
Coma White

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