10 Anos de Blogue BranMorrighan | Ilustrações de Katharina Leppert

10 anos. Uma década. E uma sensação constante de abismo e fascínio. Ao longo dos últimos anos, a cada dia 13 de Dezembro, escrevi sempre...


10 anos. Uma década. E uma sensação constante de abismo e fascínio. Ao longo dos últimos anos, a cada dia 13 de Dezembro, escrevi sempre uma mensagem enorme, uma espécie de memorial anual, mas este ano nem sequer consegui vir ao computador nesse dia. Estava numa conferência, em Cambridge (Inglaterra), a apresentar dois trabalhos e ainda acabei a ser convidada para participar na organização da próxima edição que será em Lisboa. Estava constantemente num misto de alegria e coração apertado, pois o BranMorrighan sempre foi aquele meu projecto que mais me deu e eu não estava sequer a conseguir homenageá-lo como deve ser. 

Olhando para trás, e lembrando que tinha apenas 20 anos quando escrevi as primeiras linhas num layout que era totalmente negro, apenas com uma lua amarela a iluminar o espaço, parece que já se passaram várias vidas e não apenas dez anos. As circunstâncias que me levaram a criar o blogue são tão misteriosas quanto inevitáveis. Eu tinha passado por dois anos muito complicados, com cirurgias, a interrupção da minha carreira desportiva (joguei basquetebol e representei a selecção nacional até à selecção sub20), e estava numa licenciatura, Engenharia Informática e de Computadores no Técnico, que tanto me desafiava como dava comigo em doida. A par de tudo isto uma curiosidade inata sobre o desconhecido, o místico, a procura de um sentido no universo. E assim começou o BranMorrighan.

Bran, deus celta cujo símbolo é um corvo, Morrighan, deusa celta cujo símbolo também é um corvo. Ambos partilham a sua ligação à guerra, à morte, mas também à profecia, à escrita, à música e ao caminho da perseverança. No meu imaginário, com base na forma como eu encarava as situações em que me via envolvida, ter um blogue como este, naquele ano, era criar um espaço onde me poderia sentir em casa, falar sem qualquer reserva de qualquer assunto, partilhando assim as minhas descobertas e as minhas paixões. 

Cedo a minha vida se revelou uma batalha constante. Por vezes é assim. Umas vezes por razões admiráveis, outras vezes porque não temos senão outra solução senão lutar e seguir em frente. Com o blogue conheci gente que marcou, irremediavelmente, a minha vida. Muitas vezes o blogue não teve um impacto directo na minha, mas por o ter criado muitas outras oportunidades surgiram. Vivi coisas que, se não me tivesse sentado, à luz de uma lua cheia a 13 de Dezembro de 2008, a escrever num computador sobre o que me ia na alma nunca teriam acontecido e eu hoje não seria quem sou. Directa ou indirectamente, por este blogue existir vivi momentos que estão para lá de qualquer descrição. 

Criei ligações ao mundo da literatura, mais tarde ao mundo da música. O BranMorrighan passou de ser o blogue com o nome esquisito para ser o blogue da Sofia, sendo que neste momento já não há distinção entre um e outro. O BranMorrighan tornou-se numa extensão de mim. Com 30 anos feitos em 2018, uma licenciatura e um mestrado em Engenharia Informática, uma tese de doutoramento entregue em Engenharia informática, uma ligação maior que o  mundo, pelo menos no coração, à Omnichord Records, tours nacionais e internacionais com artistas que vou admirar sempre e para sempre, colaborações editoriais com as principais editoras nacionais, colaborações escritas com o Música em DX e SapoMAG, viagens pela Europa e Japão a divulgar o meu trabalho científico, e agora como professora auxiliar convidada na Faculdade de Ciências - sei que estou a ser injusta nesta listagem porque vivi (oh tanto!) mais - certamente não sou a mesma pessoa que era há 10 anos atrás. 

E nestes 10 anos, não me querendo alongar muito mais, preciso sempre, mas sempre, de mencionar o LMR. Partiu cedo demais, mas sem a presença dele na minha vida, nos anos em que esteve presente, eu não teria vencido metade das batalhas com que me deparei, este blogue nunca seria metade do que é. Ele desafiou-me a ser mais, a querer mais, a nunca desistir de um sonho. Para além de ter sido uma das pessoas mais carismáticas que alguma vez conheci, foi um dos meus melhores amigos. A sua marca na minha vida e na deste blogue nunca, jamais, será esquecida. 

Preciso também de agradecer, tão essencial quanto a existência deste sítio, aos meus leitores. Os leitores do BranMorrighan são leitores especiais. Não quero saber se pareço arrogante com esta afirmação, mas eles sabem que é verdade. Vocês sabem que de alguma maneira, nas vossas vidas, ousam ser diferentes, ousam ser curiosos, ousam querer mais das vossas vidas. E é isso que pretendo continuar a inspirar. Seja por ajudar directamente artistas, escritores, académicos, quem for, seja por partilhar convosco experiências e opiniões pessoais que mostram que, independentemente de qualquer status, somos todos humanos, com forças e fraquezas, com alegrias e tristezas. Acima de tudo, nada disto valia a pena sem ser através da partilha. E esta é a palavra-chave que resume esta última década. Uma PARTILHA do meu coração para os vossos. 

Mais uma vez, obrigada a todos, sem excepção, que todos os dias fazem com que este caminho faça sentido e valha a pena. Obrigada a todos, sem excepção, que se cruzam com a minha vida com boas intenções e que me fazem uma pessoa mais feliz. Obrigada também àqueles que nem sempre têm boas intenções e tentam causar problemas, tornam-me mais forte. E, claro, obrigada aos meus amigos e à minha família. Aquele pilar inabalável que conta agora com o canino mais lindo do mundo #ocaobran, o abençoado. 

As comemorações este ano contam novamente com os tradicionais passatempos literários (a serem lançados a partir de amanhã), com duas festas, Lisboa e Porto (novidades brevemente) e também com um elemento novo. Uma mixtape de temas originais de alguns artistas portugueses. Uns mais conhecidos que outros, mas o melhor de tudo é perceber a ligação que encontraram entre os temas que criaram, a minha pessoa e o blogue. E, não falhando à filosofia de apresentar novos talentos, bem que podem contar com eles. Ainda esta semana ou na próxima começo a revelar os temas e os seus autores. Fiquem atentos!

As belíssimas ilustrações deste aniversário, incluindo os cartazes dos concertos, são da magnífica Katharina Leppert. Fica o poster e logo a seguir toda a informação sobre uma das mais recentes pessoas que entrou no universo BM e que, sem dúvida, o tornaram mais bonito. Muito obrigada, querida Kate. 


[katharina leppert],podem chamar-me Queite e escrever Kate.
25 anos, Tatuadora e Ilustradora, a viver e a beber no Porto. 
Podem encontrar-me no estúdio privado Tigres Studio.

Todos os meus trabalhos são inspirados em elementos botânicos e esotéricos. Se puder juntar cristais de quartzo-rosa com raminhos de flores, tenho o dia feito.

Para completar alguns artworks que faço, adiciono por vezes a fotografia. É normalmente analógica de retratos ou de paisagem citadina e campestre. 

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