[Crónica Paulo André Cecílio] A culpa é dos Lobos

Podia estar aqui a gastar o latim que não tenho a escrever sobre a importância da Sofia dentro daquilo que constitui a “cena” musical po...


Podia estar aqui a gastar o latim que não tenho a escrever sobre a importância da Sofia dentro daquilo que constitui a “cena” musical portuguesa – e que não começa nem termina apenas neste blogue -, mas, à boa maneira daquilo que tinha vindo a escrever antes de uma tremenda falta de tempo me ter cortado os dedos e as pernas, prefiro recordar: aquela viagem longuíssima até Alenquer, terra do novo Side B, para ver de perto duas das mais relevantes bandas do metal tuga do presente: os Process Of Guilt e os Löbo.

Num Hyundai cinzento que já viu melhores dias, a viagem começou na Póvoa de Santa Iria, onde nada se passa ou voltará a passar desde que o Wake Up Póvoa sofreu uma infeliz morte prematura, passou pelas portagens da A1 que me recusei a que ela pagasse e terminou numa cidade ribatejana onde perdermo-nos à procura de um bar de rock parece estupidamente fácil, até que do baixo de um prédio (quero dizer rosa) ali estava a entrada: rock n' roll, bandas de versões a toda a hora, um ou outro concerto mais interessante para quem não tem a mínima pachorra para bandas de versões. 

A cerveja foi seguindo o seu caminho goela abaixo – o que foi chato, porque havia que conduzir depois – e aguardando ansiosamente pelo iniciar dos concertos, com os Löbo a mostrarem-se em forma (ainda que, no final, tenham dito que o concerto foi uma merda) e os Process Of Guilt a soarem tão soberbamente janados que quase nem deu para aguentar dentro da sala, tamanho era o volume (e não se aguentou mesmo, o que é bastante porreiro. Ficar surdo é o objectivo principal para quem gosta de rock e/ou metalada e não adianta dizer que não).

No final, só uma t-shirt de Process Of Guilt comprada no merch e memórias vagas do João Vairinhos a falar do filho e do facto de não gostar de bola sobraram neste recanto. Ou não, espera, sobrou outra: a ideia de que conhecer alguém que goste tanto de música quanto nós a tão poucos quilómetros de casa (quando a infância e a adolescência e a juventude adulta foi passada a falar de kizomba com amigos mainstream) é uma dádiva. E só por isso há que enaltecer a Sofia – com quem mais teria bebido copos nessa noite de tédio suburbano?

Paulo André Cecílio

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