Sugestões de Natal, por João Morales: Mar de Aral, de José Carlos Fernandes e Roberto Gomes

Mar de Aral José Carlos Fernandes (argumento) e Roberto Gomes (desenhos) Comic Heart/G Floy Studio - Portugal 72 págs 14 euros ...


Mar de Aral
José Carlos Fernandes (argumento) e Roberto Gomes (desenhos)
Comic Heart/G Floy Studio - Portugal
72 págs
14 euros

Foi distinguido no Prémio nacional de Banda Desenhada (no Amadora BD), vencendo as categorias de Melhor Argumento de Autor Português e Melhor Obra de Autor Português. Conquistou os três prémios para que estava nomeado nos Galardões BD Comic Com 2019: Melhor Argumento (para José Carlos Fernandes), Melhor Desenho (para Roberto Gomes) e Melhor Álbum de Autor Português. Mar de Aral é o regresso de José Carlos Fernandes (argumentista), aqui acompanhado pelo desenhador Roberto Gomes, trazendo à luz do dia um álbum há muito elaborado. A qualidade, essa, é aquela a que o autor já nos habituou há muito.

O conjunto de histórias que compõem este álbum começa com uma narrativa que dá nome ao livro. Mas antes da ficção, os factos. O Mar do Aral era um lago, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, com cerca de 66 mil km2. Nos anos 60, a URSS desviou os rios que alimentavam a região, para irrigar plantações de algodão. O volume da água diminuiu, mas o sal ficou prejudicando o solo e matando os peixes.

Na versão de JCF os peixes sofreram uma adaptação, uma metamorfose com laivos de Lovecraft que introduz o Fantástico, elemento comum a todas estas histórias. “Um boi sobre o telhado”, “Roupas de defunto”, “A Inauguração do canal do Panamá” e “A arte esquecida de nadar rio acima”, completam o leque de discretos delírios que perfazem, este puzzle.

Em certa medida, a última narrativa, está em sintonia com o trabalho de Engenharia Florestal que, em tempos, ocupou os dias de JCF. Trata-se de uma escola para salmões, onde estes peixes são instruídos para nadarem contra corrente, rio acima, portanto. O cenário é um prodígio de cenografia, quase uma ironia sobre M.C. Escher, confirmando os méritos de Roberto Gomes, bem expressos na diversidade de registos elencados neste livro (como a inteligente mudança na primeira história, quando se passa do deserto para o bar). Roberto, que foi em tempos aluno de JCF, revelou-se o parceiro ideal para concretizar um livro que, no fundo, já existia há vários anos, aguardando apenas autorização do argumentista (arredado da BD e quejandos) para avançar. Mar de Aral foi co-editado pela Comic Heart/G Floy Studio - Portugal e pertence agora ao catálogo da recém-formada A Seita.





0 comentários