[Diário de Bordo] Sangue, Suor, Lágrimas... e a Recompensa

As últimas semanas têm sido de doidos. Desde que as aulas começaram que toda a minha noção de tempo livre mudou. Nas primeiras seman...


As últimas semanas têm sido de doidos. Desde que as aulas começaram que toda a minha noção de tempo livre mudou. Nas primeiras semanas parecia que não existia, de todo. Tem sido um processo conseguir ajustar-me ao novo horário, em que acordo três dias seguidos às 6h15 e os restantes às 7h15. O problema nem está no acordar cedo. Na verdade, começar a dar aulas às 8h, pode ser bastante produtivo se chegarmos vivos à tarde. O que também é um processo. 

Na primeira semana no final de cada manhã de aulas estava KO, na semana passada já foi mais ou menos. A maior luta é contra o desgaste mental. Para além das aulas normais, existem sempre reuniões das cadeiras e o horário de dúvidas, por isso quando damos conta parece que realmente o tempo que sobra é para preparar aulas e pouco mais. Mas esse pouco mais, para mim, tem de ser muito. Preciso de continuar a escrever a tese de doutoramento (coloquei como data limite o final deste mês e ainda tenho muito para pedalar) e convém arranjar sempre algum tempinho (duas a três vezes por semana) para ir largar toxinas ao ginásio. Fora isto tudo, idealmente, existe uma vida pessoal e social que deve incluir convívios, concertos, cinema, sei lá eu, mas para já, esta última parte, ainda é uma miragem. Vá, talvez esteja a ser injusta. 

A semana passa consegui ir ver José Gonzalez (com o preço de dormir umas 5h e de no dia seguinte estar completamente insuportável) e no Sábado fui ver Löbo ao Side B Rocks, em Alenquer. O feriado, na Sexta-feira, calhou precisamente com o dia em que normalmente não dou aulas, portanto foi apenas mais um dia normal em que finalmente me dediquei um pouco mais à minha tese. Vida animada, hein? Bem, a verdade é que não me posso queixar. Esta é a primeira semana em que me sinto mais calma e a verdade é que tudo parece menos complicado e complexo. Há duas semanas estava a arrancar cabelos e a pensar que ia dar em maluca. Parece-me um bom avanço, não acham? 

Mas passemos às boas notícias! Uma das razões pelas quais tenho a minha tese atrasada, é que em Agosto e início de Setembro andei a dedicar-me a um paper e a um abstract para uma conferência. O primeiro em redes financeiras, o segundo em "fairness" (justiça) em sociedades com o jogo do Ultimato. Lá submetemos o paper e o abstract e ambos foram aceites na Complex Networks 2018, em Dezembro, em Cambridge. "Capturing Financial Volatility Through Simple Network Measures" foi aceite com apresentação de poster e "Fairness in multiplayer ultimatum games through degree-based role assignment" foi aceite com apresentação oral. Claro que se forem ao meu CV académico - http://andreiasofiateixeira.wordpress.com - estes são dois trabalhos em áreas nas quais ainda não tinha trabalhado, o que me deixa ainda mais contente e orgulhosa. Os meus co-autores são as pessoas mais maravilhosas deste mundo (obrigada Pedro Souto, Fernando Pedro, Francisco Santos e Alexandre Francisco) e sem eles tudo isto seria completamente impossível. 

Resumindo e concluindo, uma pessoa lá vai nadando até chegar a solo. Costumo dizer que tudo o que tenho conseguido é com muito sangue, suor e lágrimas, mas também já me devolveram, e com razão, que as coisas que valem a pena normalmente são assim conseguidas. Que assim seja. O importante é ir respirando e tendo sempre em vista que por muito terrível que tudo pareça no momento, eventualmente arranjamos mecanismos para lidar com isso tudo e chegarmos a terra sãos e salvos. Quer dizer, a parte do sãos... Ahahah, mas também é para isso que existem os terapeutas, certo? :) 

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