[Diário de Bordo] Depois de quase duas semana sem smartphone e rede móvel

Quem é que nunca ficou sem telemóvel de um momento para o outro? Ou porque caiu, ou porque avariou, ou porque, como no meu caso, a bate...


Quem é que nunca ficou sem telemóvel de um momento para o outro? Ou porque caiu, ou porque avariou, ou porque, como no meu caso, a bateria começou a drenar, do nada, em menos de quatro horas? Convencida que estava do modelo que queria comprar a seguir, e que não há em Portugal, tratei de arranjar um pequeno telemóvel básico, da Select Line (custou uns 16€) que dá para as tradicionais chamadas e sms. Melhor de tudo, para ter um toque de chamada, tive de gravar, literalmente, uma música a sair de um sítio qualquer e gravei a Drops, dos Jungle. Ahahah. A cada despertador ou chamada, lá começava com aquele ruído típico de uma qualquer gravação de baixa qualidade. Foi quase nostálgico. 

Fiquei praticamente duas semanas nestas condições porque a primeira encomenda com a Amazon.es correu mal. Chegou-me um telemóvel que não vinha selado e nem sequer ligava ou carregava. Ainda aguardo que me reembolsem o dinheiro, já que já enviei o telemóvel de volta. Acabei por mandar vir um da Tek4Life, que chegou em menos de 24h com tudo perfeito. 

Porque é que partilho isto convosco? Achei a experiência de ter um telemóvel sem qualquer acesso a rede móvel/internet completamente libertadora. Muitos dos meus amigos perguntavam como é que eu conseguia, cheguei até a ouvir "uma miúda moderna como tu como é que não tem um smartphone?", mas a verdade é que o detox surtiu de tal maneira efeito que agora dou por mim a esquecer-me de prestar atenção ao smartphone. 

Isto leva-me a crer que a minha adição às novas tecnologias e à internet não é assim tão grave, mas, principalmente, faz-me perceber que muitas vezes andamos desfocados do que realmente nos rodeia para verificarmos as redes sociais ou então para respondermos a mails de forma imediata. Como estive estas duas semanas sem telemóvel e como não estive sempre colada ao computador, afinal estou a dar aulas a maior parte do tempo e também convém dormir e comer, claro que não lia nem respondia aos mails imediatamente (ainda tenho alguns em atraso), mas obviamente ninguém morreu por isso. 

Dou por mim a pensar que as pessoas deviam, claramente, abrandar o ritmo a que vivem, abrandar a ansiedade com que vivem de mostrar tudo, de responder a tudo, de fazer parte de tudo. Dou por mim a tirar prazer só pelo facto de estar desconectada, de poder estar no presente. É quase redescobrir o que nos rodeia, observar como as pessoas se comportam, o quão dependentes disto ou daquilo estão, como é que isso as influencia e que impacto é que isso tem nas suas vidas. 

Tenho clara noção que o BranMorrighan tem sofrido com a minha falta de tempo e de dedicação. Tenho lido menos, tenho ouvido menos coisas novas, faço poucas entrevistas, não consigo acompanhar as novidades todas em tempo real, etc. Mas sabem a contrapartida? Acabei a primeira versão da minha tese de doutoramento. Tenho passado mais tempo com #ocaobran e sempre que preciso tenho conseguido estar mais focada. 

Estar na fase de término de uma tese de doutoramento é muito complicado. Existe muita pressão. Achamos sempre que nunca está boa o suficiente. Todas as inseguranças vêm ao de cima. Todo o nosso tempo, todo o nosso pensamento livre acaba por ir para àquele documento que é decisivo para o futuro da nossa carreira enquanto docente universitário e investigador científico. O cansaço consegue ser arrasador.

Para além disto tudo, ando a ver se consigo preparar as festas de aniversário do blogue. Ilustrações, cartazes, bandas, logísticas, tudo e mais alguma coisa. Para não falar do que, obviamente, me ocupa mais tempo, preparar todas as aulas que preciso de dar ao longo da semana. Porque, este sim, é o meu maior compromisso, assegurar-me que consigo que os meus alunos tenham gosto em aprender e que consigam efectivamente apreender os conceitos que é suposto eu transmitir-lhes. A mim não me interessa só debitar a matéria. Interessa-me que eles ganhem cada vez mais curiosidade, que se tornem proactivos, que tenham gosto em ir às aulas. Que as aulas sejam estimulantes e não apenas uma obrigação. Tudo isto envolve uma grande dedicação e desgaste. 

Juntar tese, aulas, blogue, mais trinta mil logísticas caseiras e ainda não descurar da minha saúde e dos tratamentos que preciso consegue ser explosivo. Mas sabem que mais? É maravilhoso ter o privilégio de viver isto tudo. Às vezes o custo é grande. Às vezes dou por mim a abdicar de coisas que adoro porque o dever está primeiro. No entanto, não posso ficar triste ou chateada com isso. Tudo na vida exige um equilíbrio e acho que, entre aquilo que abdico e aquilo que usufruo, não me posso queixar. 

E pronto, fica aqui uma pequena reflexão que me apeteceu partilhar convosco! Espero que estejam bem e que continuem desse lado que brevemente tenho muitas novidades para partilhar convosco! 

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