[Diário de Bordo] A vontade e a resistência de voltar a escrever

Esta semana voltei a escrever. Sobre uma música e respectivo vídeo. A verdade é que à medida que ia escrevendo o que me ia na alma, faz...


Esta semana voltei a escrever. Sobre uma música e respectivo vídeo. A verdade é que à medida que ia escrevendo o que me ia na alma, fazendo o exercício de descrever emocionalmente como é que a arte me toca, o formigueirozinho do prazer em escrever, da liberdade que isso traz, não só voltou como me tem atormentado desde então. Confesso-vos, leitores, não tenho escrito com frequência por várias razões. A primeira, mais óbvia, é que estou cheia de trabalho e desafios por superar, profissionais e pessoais. A segunda, menos óbvia, é que abrir o editor do blogue perturba-me. Perturba-me no sentido de saber quão entusiasmante já foi (livros, música, entrevistas, concertos, festivais, etc.) e o quão longe de tudo estou agora. A terceira, indiferente a tudo isto, é que sinto que algo se quebrou pelo caminho. 

O blogue leva mais de onze anos e talvez isto seja só uma crise de quem de repente vai viver para o outro lado do mundo e o seu dia-a-dia tenha rompido completamente com o que era antes. Poderia dizer que a culpa é do coronavirus, mas esta dormência em escrever sobre o que quer que seja já vem antes disso. Se no início o blogue vivia de comentários na plataforma e de trocas de emails, com o aparecimento das redes sociais tudo se concentra lá e eu ando com pouco tempo e ânimo para estar atenta ao que se passa e para manter um ritmo constante de publicações para que o alcance não diminua. Volta e meia tento interagir com a página do Facebook, mas como ando tão desaparecida o alcance é mínimo e a participação é sempre dos mesmos maravilhosos seguidores (a quem eu agradeço de coração por estarem sempre lá). 

Mas se escrevo esta entrada é porque gostava que toda esta nuvem cinzenta se fosse embora. Sinto falta do ânimo de escrever, da partilha das opiniões e sentimentos, de sentir que estou a contribuir com algo. Lembram-se da missão de divulgar jovens escritores portugueses? Das centenas de entrevistas a escritores e músicos portugueses? Das centenas de opiniões de livros de todos os géneros e feitios? Partilhas de músicas, de viagens, de arte e ilustração? Gostava mesmo de voltar aí, a esse universo em que usamos as ferramentas online para ajudar a divulgar o que se faz de melhor. 

Gostaria também de escrever, de vez em quando, posts que sejam um pouco científicos. Tentar partilhar em vocabulário compreensível aquilo que vou estudando. Sabiam que me encontro neste momento a estudar conectividade estrutural e funcional de cérebros? E que também estou envolvida num projecto super importante relacionado com o contágio em larga-escala do coronavirus? São projectos super entusiasmastes, em que estou a aprender imenso e que talvez fossem também interessantes para os mais curiosos. O que me dizem? 

Outro desejo é de mudar o layout do blogue novamente para um mais funcional. Este nunca ficou a funcionar a 100% e gostava de ter uma plataforma que vos permitisse interagir comigo de forma mais directa. Vamos lá ver o que consigo. Talvez tenha sido o pouco sol que apanhei hoje quando fui à rua (a fotografia do post é de há umas horas atrás) e talvez esteja demasiado optimista, mas não custa tentar, certo? Obrigada aos corajosos que ainda se encontram desse lado e sintam-se livres de darem todo o feedback que acharem pertinente! Namastê :) 

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