Iniciativa Diversidade - Have the Conversation

Mais sobre a Iniciativa Diversidade aqui . Perdoem-me os estrangeirismos, mas ao estar a viver estas circunstâncias aqui nos Estados Unidos,...

Mais sobre a Iniciativa Diversidade aqui.

Perdoem-me os estrangeirismos, mas ao estar a viver estas circunstâncias aqui nos Estados Unidos, e ao estudar a cultura e o problema mais visceral em relação ao racismo, acabo por apanhar as suas expressões. Quando aqui se diz "Have the conversation" conseguimos sentir rapidamente que se trata de algo sensível. A conversa que se tem que ter é sobre "white privilege", ou o privilégio dos brancos, e a forma como mesmo as pessoas que se dizem não serem racistas acabam por reforçar, mesmo sem quererem, algumas dinâmicas que são racistas. Por aqui diz-se que não adianta não se ser racista, tem que se ser anti-racista. E é compreensível. 

Algo que me tem deixado triste e desconfortável é ver que em Portugal este racismo tem estado também latente. Não sou especialista em história de Portugal, mas é óbvio que temos precedentes. Talvez não tenhamos brutalidade policial descarada, como existe aqui nos EUA, mas isso não implica que não haja uma sombra muito grande sobre o assunto e que os incidentes não aconteçam na mesma. Dito isto, a primeira partilha que quero fazer aqui é a Crónica de Mamadou Ba, dirigente da SOS Racismo, no Expresso.

Muitos de nós não fazemos ideia das dinâmicas que muitas pessoas têm de ter para se proteger do preconceito. Alguma vez pensaram que talvez devessem ter que ter brinquedos ou um banco de criança no carro para terem uma menor probabilidade de serem parados pela polícia e com isso correrem o risco de serem mortos? Já se confrontaram com a situação de por causa da cor da vossa pele as pessoas colocarem em causa a vossa inteligência e capacidade? Já se confrontaram sobre a limitação de só poderem viver em certos bairros e terem acesso a créditos muito limitados por causa da cor da vossa pele? Já imaginaram o que é um adolescente de 14 anos ser linchado e mutilado por causa da cor da sua pele, porque uma mulher decidiu dizer que o adolescente estava a namoriscar com ela?

Graças a várias conversas que tenho tido com outras pessoas, quero usar este belíssimo canal que tem sido o BranMorrighan na partilha de cultura, para partilhar convosco alguns recursos que possam ajudar a que a conversa aconteça às mesas de cada um. A educação começa em casa. O desaparecimento do racismo começa com a consciencialização colectiva, com a empatia, com a revolta na injustiça, com o transmitirmos às nossas crianças, desde o início, que a cor da pele não predefine a personalidade de uma pessoa.

Antes de mais, quero agradecer à Joana Gonzalez (que devem conhecer do blogue Histórias d'Elphaba) por me ter dado a conhecer estas conversas de Emmanuel Acho - Uncomfortable Conversations with a Black Man. São uma forma de chegar ao público de forma fácil e aberta. Outro recurso que quero partilhar convosco, é uma masterclass chamada "Be The Change" para professores de yoga, mas que na verdade é útil para todos. Partilho também o podcast da Michele Obama, porque para além de ser muito interessante, também aborda o desconforto que se tem que sentir enquanto se rompe com o que está de errado. A grande questão é: o que podemos fazer para que a mudança aconteça? Em termos de mais sugestões literárias, vou fazer outro post para as mesmas. Se tiverem mais sugestões de recursos que possam incentivar a que estas conversas comecem a ser mais rotineiras na vida de cada um, para que a consciência se torne global e se destrua o preconceito, por favor enviem-me por email.


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