[Diário de Bordo] Zero Graus em Bloomington

Alô! Já era para vos ter escrito este post há uma semana atrás, mas adivinhem... A vida acontece! E entre o trabalho, a falta de horas de so...

Alô! Já era para vos ter escrito este post há uma semana atrás, mas adivinhem... A vida acontece! E entre o trabalho, a falta de horas de sono e o excesso de café, tenho andado com um cansaço tão grande que depois não tenho energia para me sentar a escrever. Mas vamos lá a ser sinceros. Não é que haja um excesso de trabalho assim tão grande, mas quando se está há quase 10 meses a viver em isolamento, sem amigos e família, com algum stress e pressão constantes... Qual é a consequência natural? Não andamos todos, em todos os pontos do globo afectados pela pandemia, um pouco mais cansados que o normal? Este é um aspecto da pandemia que acho que não se fala tanto, quando na verdade é dos que tem mais impacto no nosso dia-a-dia. Será que estamos todos conscientes das dificuldades que cada um possa estar a passar, com as mais variadas origens, desde que a pandemia começou? Honestamente, acho que não. Em vários aspectos, mais do que nunca, temos que ser solidários uns com os outros. Em tempos de pandemia, não só a nossa sensibilidade para com o próximo tem de aumentar como também a nossa tolerância. E essa tolerância tem que ser também com nós mesmos. Falemos agora de coisas menos sérias. 

O Inverno está a chegar! Quando comecei este post, há duas semanas atrás, já tínhamos tido uns dois ou três dias a zero graus, hoje já vai estar temperatura negativa durante a noite! E nestas duas semanas, os locais de todas as fotografias que estão no final deste post, já estão praticamente despidos de folhas. O Outono aqui é belíssimo, mas também consegue ser brutal. O que nós em Portugal consideramos tempestades, aqui são apenas eventos quotidianos. O que aqui são tempestades, raramente temos em Portugal. A nível cultural e até mesmo climático, considero que esta experiência nos EUA tem sido muito enriquecedora para ver tudo com outros olhos, novas perspectivas e também uma espécie de abanão em termos de diferentes consequências perante diferentes condicionamentos. 

Quero também relembrar que o Emmanuel Acho está de volta com Uncomfortable Conversations With a Black Man! E a última conversa é precisamente com polícias e sobre a iniciativa Black Lives Matter e os protestos "Defund the Police", e o que ambas significa para ambas as partes. Neste contexto, também li recentemente uma passagem de Dare to Lead, da Brené Brown - “I haven’t been in a company in five years where people aren’t whispering, “This is great, but, um, how do we talk about race?” My response: "You first listen about race. You will make a lot of mistakes. It will be super uncomfortable. And there's no way to talk about it without getting some criticism. But you can't be silent." To opt out of conversations about privilege and oppression because they make you uncomfortable is the epitome of privilege."

E com isto, despeço-me por hoje. Post curtinho, só para vos mostrar as belas cores de Outono que, no meio de tanto isolamento e da pandemia, sempre nos relembra que o universo é belíssimo e que somos muito sortudos quando temos saúde e uma mínima capacidade financeira para termos um teto e pequenos mimos que atenuem os efeitos das adversidades. Dito isto, se puderem ajudar alguém, doar algo, por favor façam-no. Dentro das vossas capacidades, claro, mas acredito que bondade gera bondade e nunca se sabe se algum dia seremos nós a precisar de alguma ajuda - seja, financeira, de uma palavra, de um bem, de um abraço (quando possível), o que for. Um último apelo: estamos a viver tempos em que ser-se solidário incluiu pensarmos também que risco transportamos para a saúde das outras pessoas. Viver em tempos de pandemia significa que não nos podemos preocupar só connosco, mas também com os outros. Usem máscaras quando não puderem estar à distância indicada. Evitem estar em grupos grandes, ainda para mais se não tiverem testado todos recentemente. Lembrem-se que as pessoas assimptomáticas podem infectar alguém que pode, ultimamente, morrer da doença. E lembrem-se que nem todos têm uma estrutura familiar e financeira que os permita, caso fiquem doentes, terem os cuidados que precisam. Abraço. 










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