Entrevista a Gil Jerónimo, Músico Português (Les Crazy Coconuts, Los Atléticos, Monomonkey)

Dia 18 de Janeiro faz um ano que conheci o Gil Jerónimo. Na altura, mal sabia no que me estava a meter ao organizar um evento, pelo quinto ...

Dia 18 de Janeiro faz um ano que conheci o Gil Jerónimo. Na altura, mal sabia no que me estava a meter ao organizar um evento, pelo quinto aniversário do blogue, mas talvez ainda se tenha tornado mais surpreendente a relação que acabei por desenvolver com a banda que lá foi tocar - os Les Crazy Coconuts. Esta é uma das bandas do Gil, na qual canta, toca guitarra e ainda teclados, e, para além de os ter achado absolutamente originais, quis o destino que, com o tempo, se criasse uma bela amizade e um grande apoio mútuo. Como o Gil também tem outros projectos, e dado que admiro muito a sua postura e maneira de ser, achei que esta era uma bela forma de reforçar o reconhecimento do seu talento e será ele o próximo autor da Playlist da Quinzena - 1 a 15 de Outubro. 

Fotografia por António Catarino
1. Que fazes parte dos côcos loucos, já nós sabemos, mas queremos saber mais sobre o Gil Jerónimo e de como se iniciou esta sua grande aventura no mundo da música. Toda a tua família, pelo menos os teus irmãos, parecem estar relacionados como a música, o que é que nos podes contar acerca disso?
Eu sempre me lembro de gostar de música. Desde pequeno. Quando andava no 5º e 6º lembro que era eu quem tinha as melhores notas a música. Recordo-me que num dos testes a Educação Musical tive a melhor nota da turma, um 5. Fiquei orgulhoso porque um dos meus colegas que tinha 5 a matemática teve 2 nesse teste.
Em casa sempre vive num ambiente muito musical. Os meus pais cantam também. Entretanto, o meu irmão mais velho recebe uma guitarra para casa e foi aí que tudo começou.
A partir daí foi quase como uma bola de neve. Os meus irmãos formam bandas juntamente com amigos e  algum tempo depois, inicio de 2006 para ser mais preciso, recebo um convite de um amigo que queria formar um projecto de originais, ao qual eu fui convidado a fazer um ‘casting’. E foi assim...


2. Ainda te lembras da primeira coisa que tocaste?
Sim. Alcohol dos Starsailor. :D


3. A nível de influências e referências pessoais, existem algumas que decididamente te tenham marcado ao longo do tempo?
Como principal influência, Jeff Buckley. Costumo dizer que aprendi a cantar com ele. A ouvir o álbum Grace vezes sem conta e a tentar imitá-lo. Depois, ao longo do tempo tenho sempre aquelas favoritas. Depois disso tenho várias bandas que me têm influenciado ao longo destes tempo. É difícil de enumerar porque depende da altura. Às vezes mais um estilo que outro. Ora estou mais no rock’n’roll, como estou mais na electrónica, como posso passar para um darwave, um synthpop, um post punk ou um post rock. É como estiver o espírito.


4. Apesar de estares principalmente associado aos Les Crazy Coconuts já tiveste, e tens, outros projectos. Fala-nos um pouco sobre cada um.
Bom, comecei em 2006 com um projecto chamado No Sweat. Foi a minha primeira experiência como vocalista e como ‘letrista’. Foi um grande experiência e deu-me um grande ensinamento. Acabei por indo aprendendo ao longo dos tempos e aperfeiçoando na voz e na guitarra. Gravámos 2 Ep’s ( um em final de 2008 e outro no inicio de 2010). Em meados de 2010 decidimos por fim ao projecto.
No final do verão de 2011, formo juntamente com alguns amigos os We Should Dance Anyway. Projecto que deixou de tocar no inicio de 2013.
No final de  2011 sou convidado para fazer parte de um projecto já existente há uns alguns, os Monomonkey, onde estou até hoje.
E os Los Atléticos, uma dupla de MD’s (ou Mete Discos eheheheh) que costumas passar músicas da cena alternativa, indie, electrónica e dependendo do ambiente podemos passar para aqueles clássicos dos anos 90 e 00 do eurodance e do pop/rock mundial.


Fotografia por Sofia Teixeira
5. Será que já nos podes contar a verdadeira versão sobre a tua entrada nos Les Crazy Coconuts? (risos)
Bom, recebi uma chamada do Tiago a dizer que queria falar comigo e que tinha uma proposta para mim. Desconfiei... Marcámos um café e recebo um convite de uma pessoa que não conhecia (só a tinha visto uma vez nesse ano, no Paredes de Coura, mas não me lembrava muito bem daqueles momentos :P) para uma banda de Kuduro Progessivo, eu pensei dois segundos e prontamente respondi: “ Tá bem!”; mas ainda a tentar perceber o que era aquilo do “Kuduro Progressivo” e a pensar “Esta gaja (a Adriana) está parva!”. Depois lá me contou aquilo que verdadeiramente era e pronto... é esta a história! :D



6. Como é que as várias experiências, com as diversas bandas, te têm ajudado a crescer enquanto músico?
Faz-me trabalhar com pessoas diferentes, métodos diferentes de compor... Vou aprendendo várias formas de escrever canções... É sempre bom quando podes ir partilhando com outras pessoas, com amigos diversas maneiras de estar na música e de criar música.



7. Alguma vez te esqueceste de alguma letra? Como é que lidas com os imprevistos durante os concertos?
Sim! Várias vezes... Acabo por improvisar na altura. De escrever uma letra mentalmente. Isto acontece-me várias vezes. LOL


8. O que é que mais te fascina ao nível da composição musical?
Ui! Esta é difícil. A infinidade de coisas que podes criar. E a infinidade de instrumentos com que o podes fazer. Gosto de experimentar as coisas e chegar àquele som ou àquele tempo.


9. Qual o teu disco preferido de sempre?
Grace de Jeff Buckley (como já tinha referido lá em cima :D)


10. E livro?
Bom, não sou muito de ler livros, mas escolho o Principezinho. Li há cerca de 3 anos, no meu primeiro ano de faculdade. Uma amiga ofereceu-me pelo meu aniversário e disse-me que não podia acabar o curso sem ler aquele livro. No dia seguinte peguei nele e li todo de uma só vez. Apesar de conhecer a história fez mais sentido ter lido naquela altura.


11. Que músicas possivelmente embaraçosas é que podíamos encontrar no teu leitor mp3?
Um remix das CSS a uma música da Kylie Minogue. Confesso que curto a música mas quando vamos de viagem com os Coconuts e tenho de ser eu a pôr som no carro tento sempre evitar aquela música.


Fotografia por Bruno Xavier Julião
12. Olhando para o nosso panorama musical, e estando numa cidade tão rica nesse aspecto como Leiria, qual o teu sentimento em relação ao mesmo? É fácil iniciar-se uma carreira como músico no nosso país?
“Leiria está bem e recomenda-se”. É mais difícil se fores de uma cidade que não seja Lisboa ou Porto. É fácil iniciar uma carreira como músico, podes é nunca chegar a ter uma vida de músico, a 100%.


13. Que conselhos darias a quem está agora a começar?
Nunca desistir.


14. Para terminar, se te tirassem a possibilidade de fazer música, o que seria de ti?
Não sei! É difícil pensar nisso porque é coisa que espero que nunca me venha a acontecer mas seria muito difícil. eheheh


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