Opinião: The Empire, de João Valente

The Empire João Valente Editora : TOPSELLER Sinopse :  João Valente leva-nos numa viagem nostálgica pela vida de quatro rapazes, ...

The Empire
João Valente

Editora: TOPSELLER

SinopseJoão Valente leva-nos numa viagem nostálgica pela vida de quatro rapazes, que acima de tudo quiseram fazer música. A música rock do século XXI acolheu na sua genealogia uma superbanda nascida de um acaso improvável. Quem foram os The Empire? Mário Andrade na voz e guitarra, Ricardo Gomes na guitarra, Tiago Gomes na bateria e Eddie Steppleton no baixo. Quatro amigos que se conheceram por acaso e que viveram um sonho invulgar. Uma banda portuguesa ignorada no seu país, mas que triunfou num dos mercados mais difíceis do mundo. E foram muito mais do que isso. Dos momentos passados na loja de música Woodstock ao surgir das primeiras letras da banda. Da primeira demo, mal gravada num estúdio recôndito, ao contrato milionário com uma grande editora discográfica. Dos excessos e da dependência de drogas à maturidade e ao nascimento dos filhos.Numa década, os The Empire venderam milhões de discos, ganharam legiões de fãs em todo o mundo e esgotaram centenas de salas de concertos. Tornaram-se aquilo que, enquanto adolescentes sonhadores, sempre quiseram ser: uma lenda.João Valente conta-nos, numa escrita vívida, profundamente narrativa e apaixonante, a história romanceada destes quatro músicos que começaram, como tantos outros, por ser adolescentes de cabelo comprido, calças de ganga coçadas e t-shirts das bandas de rock preferidas.



Opinião: Ter o BranMorrighan tem sido uma experiência extraordinária. Já passaram mais de sete anos desde que criei este espaço e dizer que o crescimento, tanto meu como do espaço, tem sido brutal é abusar do eufemismo. De lendas mitológicas deu-se o salto para a literatura, para mais tarde me render de igual modo à música. E fez sentido a ordem por que tudo aconteceu, porque também na minha vida primeiro entrou a literatura e só depois a música. Pelo menos com que eu me identificasse. Eu sei, mas o que é que isso tem a ver com a opinião deste livro? Tem a ver no sentido que o meu envolvimento com ele chega precisamente por causa da envolvente que o blogue atingiu nos últimos anos.

Recebi The Empire ainda em Fevereiro. A edição estava prevista só para o final de Março, mas o romance que tinha em mãos exigia algo especial. Não foi à toa que muitos interveniente de renome da música portuguesa alinharam na promoção deste livro. João Valente, o autor do mesmo, conseguiu construir uma narrativa que deixa o leitor na dúvida se está a ler uma biografia real ou se realmente será apenas algo saído da imaginação do autor. Quando comecei a folhear The Empire, não por poucas vezes senti um arrepio na espinha. Desde que mergulhei mais no universo musical português que fui tendo acesso a várias histórias, actuais e antigas, das mais diversas bandas portuguesas e houve alturas em que pensei que o João se referia a este ou àquele caso em específico.

Se pensarmos que estamos perante uma estreia literária, não podemos não ficar admirados com a fluidez e a sagacidade da escrita de João Valente. Nota-se que houve um cuidado ímpar na preparação deste romance. Não só as personagens estão credíveis, como houve toda a construção do universo The Empire, incluindo toda a imagética associada ao grafismo que serve de marca da banda. Os cenários estão tão bem descritos que nos conseguimos transportar facilmente para lá, mas a cereja no topo do bolo é a coerência. Ao longo de todo o livro existe um fio condutor que exigiu que o próprio autor fizesse de compositor para que nada "desafinasse" ao longo do enredo.

The Empire é a história de uma banda que começa como tantas outras - miúdos errantes que encontram na música a escapatória e o abrigo necessários para continuarem as suas vidas. Primeiro são apenas dois, depois afirmam-se enquanto quarteto, mas tal como tantas outras é na bebida e na droga que acabam por se perder. Chega a oportunidade de editarem por uma grande editora internacional e nem sequer estão bem conscientes quando assinam o contrato. Quando dão conta, já fazem parte de uma máquina muito maior do que eles. E isso teve o seu preço. The Empire explora não só como o universo musical não é a manta cor-de-rosa que muitos pintam, como também a facilidade com que muitas vezes os seus elementos se perdem, seja por más companhias, seja por se renderem a vícios que apenas anestesiam os problemas por alguns momentos, amplificando-os depois. Tem romance, tem morte, tem intriga e sofrimento suficientes para dar um abanão ao leitor e deixá-lo rendido à história de quatro jovens que apenas queriam ser lendas do rock. Da minha parte, fica a recomendação a qualquer tipo de leitor. Acima de tudo é um romance que está muito, muito bem escrito.

Entrevista ao autor sobre The Empire:

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