Opinião: Acheron (Predadores da Noite #15), de Sherrilyn Kenyon

Acheron (Predadores da Noite #15) Sherrilyn Kenyon Editora : Casa das Letras Sinopse : Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiç...

Acheron (Predadores da Noite #15)
Sherrilyn Kenyon

Editora: Casa das Letras

Sinopse: Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples...Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los – aos dois.


Opinião: Décimo quinto livro da série, finalmente, o nosso Acheron. Personagem que aparece desde o primeiro volume da série Predadores da Noite, tornou-se no maior dos mistérios para os fãs destes misteriosos seres mitológicos. Apesar de só agora pegar neste livro, este já foi publicado há bastante tempo. Fugindo à ordem que, imperialmente, as Edições Saída de Emergência têm cumprido na publicação dos Predadores da Noite, a Casa das Letras não se fez de rogada em antecipar nuns bons números a publicação deste que era o mais esperado dos volumes. Jogada mais que inteligente, diria eu, mas para não sentir uma quebra no percurso sequencial da história, fui lendo todos até aqui para agora me deleitar com o que é, de todos, o melhor. Fica a nota que os livros seguintes retomam as publicações pelas Edições Saída de Emergência e que aconselho vivamente que sigam tudo por ordem. 

Existem elementos chaves na escrita de Sherrilyn Kenyon que a tornam numa das melhores escritoras do género. Eu, que já li dezenas dezenas dentro do romance fantástico sensual, sou da opinião que SK é mesmo a melhor. A forma como mistura a sensualidade com o sofrimento, a paixão com o ódio, a luta pela sobrevivência e o sacrifício, entre outros, traz uma intensidade e um realismo aos seus enredos como poucos escritores conseguem fazer. É como se a mitologia servisse apenas como véu, mais ainda como máscara, para grandes problemáticas reais. Neste livro, principalmente, é exactamente isso que acontece e, pelas suas palavras, a própria autora confirma isso na sua nota. 

A primeira metade da obra é diferente da segunda. Se nos episódios anteriores nos habituámos ao fio condutor humorista e até sarcástico no meio das desgraças, o início de Acheron insere-nos num mundo onde não há espaço para humor, nem sequer negro. Talvez por ter passado por uma infância de abusos, Sherrilyn Kenyon introduz-nos a vida de Acheron de forma brutal, descritiva o suficiente para sofrermos com ele, compadecermo-nos dele e odiarmos todos aqueles que ainda hoje conseguem provocar aquele tipo de sofrimento. Há quem diga que estes livros não passam de livros de vampiros, eu diria que se calhar não faria mal algum dar um olhar mais atento às linhas que os preenchem. 

Por ter lido os livros por ordem, há diversos factos que agora se encaixam. Quando a história passa para o tempo presente, a trama em si não é muito diferente daquelas a que já estamos habituados senão da profundidade e solenidade que sentimos por ser Acheron. Até àquele momento, Acheron servia como escudo protector dos restantes predadores da noite, um padrinho que se sacrificava, mesmo sem eles terem noção, para que cada um tivesse uma segunda hipótese de liberdade. Longe de ter tomado sempre as opções perfeitas, é bonito de se ver, e posso dizer sem risco de grandes spoilers, quando cada um dos outros protagonistas dos livros anteriores, aparecem para dar o corpo pela protecção de Acheron e de Tory, a mulher que irá mudar a sua vida para sempre. 

São contrastes atrás de contrastes, violência bruta e ao mesmo tempo a simplicidade do belo, do fiel e do dar sem esperar nada em troca. Depois de uma juventude sofrida, agonizante, com desilusões atrás de desilusões, Acheron não tem outra hipótese senão acreditar, por uma vez em milénios, que também para ele é possível encontrar alguma felicidade. Imaginem-se omniscientes e com a capacidade de ver o futuro de todos menos o de vós próprios e daqueles que terão influência nele... Tem sido esta a sina do nosso líder predador da noite, mas parece que finalmente alguma paz se irá estabelecer. 

Gosto mesmo muito do registo de Sherrilyn Kenyon. Tendo mostrado uma outra faceta mais crua e dura, a minha admiração tornou-se ainda maior. A ler as opiniões anteriores, não faltarão registos meus do enaltecimento da forma como erotiza cada história sem a banalizar, como é excelente na expressão das emoções e no ritmo de acção. Não é que algo tenha mudado ou transcendido, mas é como se, tentando interpretar as próprias palavras da autora, esta fosse a sua grande obra-prima. Sinceramente, espero que ainda venham dali muitas surpresas. A série vai continuar e há muito que ainda quero saber, como de Nick por exemplo. Acreditem em mim quando vos digo: se querem uma série divertida, sensual, com muito perigo e mitologia à mistura, peguem nestes livros, não se vão arrepender! 

Outras opiniões:

Só em Sonhos: 

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